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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ouro lunar



lua dourada imperatriz do breu
caminhos quase todos descobertos
estrelas covardes não vão ao campo

o vento uiva uma canção antiga
corre nas árvores seiva iluminada
escondidas e secas nas sombras
as folhas dançam

espelho frouxo
rosto pesado
entre caniços
a face estranha

água ocupa
entorpece o corpo dolorido
esvazia a alma das penas
preenche com metal

cabelo goteja lembranças no chão seco
pele imersa na lua
pensamentos livres em outra dimensão
o ciclo eterno

uma vez mais
vem a aurora
com seus dedos tecedores de  manhãs
são as cores da batalha da vez




domingo, 7 de setembro de 2014

As vozes do furacão



Povoada por vozes
frases que não disse
respostas de perguntas perdidas
histórias irrealizáveis
de um passado surreal.

A cabeça no olho do furacão.
Berros.
Exigências.
São tornados ferozes
clamando por atenção.

Será que o rapaz aqui ao lado também escuta?

Pedras pesadas
oprimem o peito
pressionam os dedos na goela.

Não pode respirar.

Sem conseguir carregar
seu maldito fado
sempre com o grito abafado
morrendo pela falta de ar


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Carta de despedida


Poeminha de despedida para uma turma que insanamente me escolheu para Paraninfa  depois de quatro anos de estudo de literatura no ensino fundamental II. 
Hoje dedico a todos meus alunos que de alguma maneira participaram das loucuras das minhas aulas de livro.


Entre a Pérsia e Troia
Cresceram Sherazade e suas histórias intermináveis.
A seu convite, navegamos nelas
Com nossos barquinhos de imaginação.

Em nossas viagens,
Conhecemos Paris, Londres e até o País das Maravilhas.

Nos juntamos à trupe de Cyrano, Alice, Quixote e Arthur
Para duelar contra os feiticeiros de De Guiche
e os moinhos de vento comandados por Lady Macbeth.

As crianças perdidas
Que chegaram numa segunda chuvosa
Caíram no buraco do coelho
E amanheceram homens no navio de Gulliver.
A impaciente Máquina do Tempo trouxe todos
Direto de 1984 para hoje.

Nos despedimos essa noite de vocês
Mas deixamos que levem consigo
Robinson, Sansa e Agilulfo

E nenhuma ilha será mais totalmente deserta às sextas-feiras.

Que Atena e o Bardo lhes acompanhem sempre.

Professora Laura Sparvoli



quinta-feira, 10 de julho de 2014

Lua cheia


Noite cheia
Lua clara
Caminhos iluminados
Rotas definidas

E eu sigo em paz
Sob o firmamento desestrelado
Apesar dos desafios escondidos
Nas sombras marginais

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Amormar



Amor mar
indeciso
aqui
ali
sem
ponto
sem
final

Amor azul
canino
quer
carinho
lambe
os pés
quer
toque
busca
atenção

Amor ressaca
céu cinza
leva
sonhos
carrega
a alma
inunda
o mundo
para
nunca mais

Às vezes
Amor brisa
vem do mar
incessante
devagar
corta
a pele
molda
a alma
marca
profunda
sentimento
eterno

Amormar
aqui
vinco
cravado
castelo montado
ali
emareado
muro invadido
concha perdida

A onda
veio
levou o mundo
e se foi
sem olhar para trás



domingo, 29 de junho de 2014

Sonho impressionista


Poema inspirado no conto Onírico de Jack Duarte e na música Lilac Wine.


O corpo brilha dourado
sob o céu de baunilha
o vento suave e doce
penetra em  seus poros
cantando cantigas medievais
o orvalho úmido e frio
o abraça e o aconchega

Ela está lá
embaixo de uma árvore de lilases
o perfume colorido lhe desenhou o caminho
rosa, verde, amarelo
era uma aquarela  impressionista

Juntos
mundo suspenso
mal pode escutar sua respiração
coração bate em descompasso
tem medo

Mão nas mãos
seus mundos se misturam
seus temores se misturam
suas angústias se dissolvem
seus sonhos os embalam
ele busca nos olhos ao lado
a força para vencer a montanha

Segura seu rosto
se embriaga com o perfume de maçã
seus cabelos são o esconderijo perfeito para mãos dele
perdem-se na eternidade daquele instante

"Finalmente está aqui"

Todo o resto se derrete
como desenho de giz na calçada
depois da chuva

O tremor ignorado
agora, e cada vez, mais forte
o abraço apertado não impede que se vá

Ele acorda no quarto escuro
silêncio sem fim
Dela, guarda  na boca o nome gravado

Na cama ao lado
o buraco da noite
vela os fantasmas do medo
suspensos em árvores lilases









segunda-feira, 11 de junho de 2012

combustão


Precisava lhe falar

sobre frio percorrendo minha espinha
ao lhe sentir perto
mirando meu pescoço

sobre o calor que sinto
quando sua boca acha a minha

sobre o turbilhão que me invade
toda vez que seu corpo completa o meu.

Queria que soubesse
como a sua cor mistura com a minha
de um jeito difícil de entender
tão simples para acontecer.

Será que sabe das suas digitais em mim?

A sua presença permanece depois você já foi
arrepios sazonais.

O dia na espera da sensação
seu hálito na minha nuca
mais uma vez.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

céu vermelho


céu vermelho
nuvens brancas na noite clara
o vento gelado corta a alma em fatias finas
mas ainda não ameniza
a angústia

talvez chova
mas não importa
talvez chore
pouco importa

a dor não sairá
está escondida
nas voltas que o sangue dá no coração

o grito não dado arranha a garganta
o gosto amargo permanece na boca
o pulo inerte prega os pés no chão
o tapa continua gravado na cara
________________________e na mão

o vermelho escorrega das nuvens
a chuva vermelha esparrama o sangue no cimento ocre

quente

mas a dor ainda pulsa no corpo entorpecido
ininterrupta.