domingo, 30 de maio de 2010
Corpo Vazio
derreteram-se entre os dedos
trêmulos
ansiosos
angustiados
inúteis
Caem desfeitos
irreconhecíveis
estropiados
no chão
Asfalto quente
restos de sonhos evaporados
vapor d'água
vapor de sonho
por todo canto
A vida
suspensa
pausada
Olhos
turvos
fixos
no triste desenho
no caminho
pingado
Chove de mansinho
água com água
sonho com solo
Alma
molhada
pesada
encharcada
bêbada
Escorrega
esvai-se com a enxurrada
afasta-se
no asfalto quente
molhado
colorido
pelos pingos
dos sonhos derretidos
domingo, 16 de maio de 2010
Virada Cultural
18h
Abertura Oficial com o espetáculo Estado Independente- Cia Borelli de Dança [DANÇA]
Local: TEATRO MUNICIPAL
18h30
DJ Ney Faustini [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
19h
Intervenção de Graffiti com o artista Boleta [GRAFFITI]
Local: AO LADO DO PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
19h30
Grooveria [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
20h - 22 de maio a 21 de junho
Abertura da Exposição "Encontro Marcado com Fernando Sabino" [ARTES VISUAIS]
Local: Casa de Cultura Dinorath do Valle
20h
CineGoethe – Em Julho [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO
20h
Cortejo de Maracatu – Cia Caracaxá [CULTURA POPULAR]
Local: ECO
20h30
Intervenção Circense com Irmãos Marambio I [CIRCO]
Local: EM FRENTE AO PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
20h30
Cartas a um Jovem Poeta – Ivo Müller [TEATRO]
Local: TEATRO MUNICIPAL
21h
Banda Megido [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
21h
Jam de Danças Urbanas - Cia. Discípulos do Ritmo e Convidados [DANÇA]**
Local: SESC RIO PRETO [ÁREA DA CONVIVÊNCIA]
21h30
B.E.C.O (B.boys em Construção Original) – Grupo Zumb.boys [DANÇA]
Local: ECO
22h
CineGoethe - Crazy [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO
22h
Intervenção Circense com Irmãos Marambio I [CIRCO]
Local: EM FRENTE AO PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
22h30
As Pagus [TEATRO]
Local: TEATRO MUNICIPAL
22h30
Tem Galega no Samba [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
23h
Intervenção Circense com Irmãos Marambio I [CIRCO]
Local: EM FRENTE AO PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
0h
Diogo Nogueira [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
0h30
Catacumbas [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO
0h30
Thalma de Freitas [MÚSICA]
Local: TEATRO MUNICIPAL
01h30
DJ Ney Faustini [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
02h
Afro-bege - Robson Nunes [TEATRO]
Local: TEATRO MUNICIPAL
02h30
Matadores de vampiras lésbicas [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO
11h
100+ Nem Menos- Cia Noz de Teatro [TEATRO INFANTIL]
Local: TEATRO MUNICIPAL
11h30
Som de Um - Renato Gagliardi [MÚSICA] **
Local: SESC RIO PRETO
13h
Enquanto Houver Encanto - Grupo Oculto do Aparente [CIRCO]
Local: TEATRO MUNICIPAL
14h
Milocovik [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
14h
Garoto Cósmico [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO
15h
Tem Gonzaga no Molho - Carlinhos Antunes & Quinteto Mundano [MÚSICA]
Local: TEATRO MUNICIPAL
15h
Tuingo e Batatinha - A Dupla de “2” Gigantes – Cia. BuBiÔ, FicÔ LÔ! [CIRCO]
Local: ECO
15h30
Vivendo do Ócio [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
16h
Intervenção Circense com Irmãos Marambio I [CIRCO]
Local: EM FRENTE AO TEATRO MUNICIPAL [REPRESA]
16h
Festival do Minuto – Os Melhores de 2009 [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO
16h
TAÍ... NA-NI-CA!!! - Cia da Casa Amarela [TEATRO] **
Local: SESC RIO PRETO [TEATRO]
16h30
Badi Assad [MÚSICA]
Local: TEATRO MUNICIPAL
17h
KAMI [MÚSICA]**
Local: SESC RIO PRETO [LANCHONETE]
17h
Mudhoney [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]
quinta-feira, 29 de abril de 2010
balanço
o calor de repente chora
a nuvem pode esconder o luar
a lua por vezes elide o sol
a água pesada muitas vezes corre sem barreiras
a água acanhada mesmo sem querer sobe ao infinito
o caminho não permanece sempre reto
a curva uma hora se endireita
a vida eternamente no vai-e-vem
nosso destino no balanço do tem-não-tem
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Gosto
Gosto de flores
Gosto de poemas
Gosto de amores
Gosto de ficar junto
Gosto de carinho
Gosto de passear
de mãos dadas pelo caminho
Gosto de beijo
Gosto de cafuné
Gosto do seu jeito
de alisar o meu cabelo
Gosto de ver a Lua
Gosto de jogar conversa fora
Gosto de dormir
sem você me deixar ir embora
E como quem não quer nada
assim vou ficando
Com um dia de cada
de repente estou lhe amando
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Bienal do Livro em Rio Preto
Abaixo segue a programação, grifei as atividades em que eu gostaria de ir... mas sintam-se à vontade para usar e abusar desta chance!!!!
Programação
30 de Abril (Sexta-feira)
8h Espetáculo: Pai do Mato Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
14h Espetáculo: Pai do Mato Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
20h Partimpim Dois Adriana Calcanhotto Palavra Sensorial
1ª de Maio (Sábado)
9h30 Pedagogia da Gentileza Gabriel Chalita Palavra Exposta
20h Tocar na Banda Vânia Bastos Palavra Sensorial
20h30 As várias Faces de Hilda Hilst Rosaly Papadopol Palavra em Cena
2 de Maio (Domingo)
10h Ética e Mìdia Caio Túlio Costa Palavra Exposta
14h30 Leitura de Poemas Antônio Calloni Palavra Em Cena
15h Pobre Gosta de Luxo, Quem Gosta de Miséria é Intelectual Joãosinho Trinta Palavra Exposta
3 de Maio (Segunda-feira)
8h Espetáculo: Traquinagens Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
10h Música Poesia Maritza Nuñes Palavra Lúdica
14h Espetáculo: Traquinagens Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
15h30 Oficina: O Dia do Saci: contos e curiosidades Hamilton Luiz Pereira Palavra Lúdica
16h Nabuco e a civilização brasileira Daniel Piza Palavra Exposta
19h Fontes da Criação Literária Alfredo Leme Coelho de Carvalho, Salvatore D'Onofrio, Antônio Manoel dos Santos Silva, Hygia Therezinha Calmon Ferreira, Zêqui Elias e Rosalie Gallo y Sanches. Palavra Exposta
19h30 Apresentação Escola Viva Palavra Sensorial
20h Exibição do Filme: Tieta do Agreste Cacá Diegues Palavra Filmada
20h30 Show: Meninos de ouro da Missão Resgate Missão Resgate Palavra Sensorial
4 de Maio (Terça-feira)
8h Espetáculo: Magia Musical Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
10h Oficina: Quebra-Cabeças dos Contos de Fadas Ingrid Biesemeyer Palavra Lúdica
14h Espetáculo: Magia Musical Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
15h30 Espetáculo: Candim Cia. da Casa Amarela Palavra Lúdica
16h Ponto de Cultura: O Brasil de Baixo Para Cima Célio Turino Palavra Exposta
19h Como conquistar quem não gosta de ler Pedro Bandeira Palavra Exposta
19h30 Apresentação de Dança Aprodança Palavra Sensorial
20h Exibição do Filme: O Grande Mentecapto Oswaldo Caldeira Palavra Filmada
20h30 A Palavra Poética em Cena Hélio Cícero Palavra Em Cena
5 de Maio (Quarta-feira)
8h Espetáculo: Música Maestro Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
10h A História do Livro no Brasil Gentil de Faria Palavra Exposta
10h De onde veio a palavra que veio da palavra de onde veio? Cia. Forrobodó de Teatro e Cultura Popular Palavra Lúdica
14h Espetáculo: Música Maestro Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
15h30 Música Poesia Maritza Nuñes Palavra Lúdica
18h Processo de criação: inspiração existe? Qual o papel do professor na formação do autor e do leitor? Ignácio de Loyola Brandão Palavra Exposta
19h30 Mostra Regional Projeto Guri Projeto Guri Palavra Sensorial
20h O Código da Inteligência - A Excelência Profissional e Emocional Augusto Cury Palavra Exposta
20h Exibição do Filme: Memórias Postumas de Brás Cubas André Klotzel Palavra Filmada
6 de Maio (Quinta-feira)
8h Espetáculo: "Menino, vou te contá" Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
10h Oficina: Brincando de Ilustrar Mileny Goto Palavra Lúdica
14h Espetáculo: "Menino, vou te contá" Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
15h Valores e Competências da Educação Familiar e a da Escolar Rosely Sayão Palavra Exposta
15h30 Palavra Sonora Preto Moreno Palavra Lúdica
18h A Nossa Língua Pasquale Cipro Neto Palavra Exposta
19h30 Show de Hip Hop Casa do Hip Hop Palavra Sensorial
20h O Velho, o Novo e os Novíssimos Testamentos José Roberto Torero Palavra Exposta
20h Exibição do Filme: Quincas Borba Roberto Santos Palavra Filmada
20h30 Memórias do Mundo: Um Olhar sobre Borges João Paulo Lorenzon Palavra Em Cena
7 de Maio (Sexta-feira)
8h Espetáculo: Respeitável Público Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
10h Filosofia e Literatura Márcia Tiburi Palavra Exposta
10h Espetáculo: A Mulher Que Matou os Peixes Cia Poleiro dos Anjos Palavra Lúdica
11h30 às 12h30 Abertura Solene e apresentação das escritoras III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
14h Espetáculo: Respeitável Público Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
15h30 Espetáculo: Princesa Diva, Adivinha Cia. Da Boca Palavra Lúdica
15h às 18h Palestras:
Amor e Criação. A Mulher e o Desejo - Mônica López Bordon (Espanha)
Diálogo e Preconceito - Isabel Hernandez (Brasil) Alicia Torres (Uruguai)
Sagração do Alfabeto - Leonor Scliar (Brasil)
A mulher e a criatividade” - Bella Ventura (Colombia)
Mediadora – Nilce Lodi (Brasil) III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
18h Café Literário – Homenagem a Raquel de Queiroz III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
18h30 Estética da Oralidade: Literatura Oral Popular Romildo Sant'Anna Palavra Exposta
20h Criação Literária Moacyr Jaime Scliar Palavra Exposta
20h Exibição do Filme: Tieta do Agreste Cacá Diegues Palavra Filmada
20h Pocket Show Wagnão Moraes e Lívia Palavra Sensorial
8 de Maio (Sábado)
10h às 13h Palestras: O desenvolvimento humano das mulhere e sua promoção artístico-literária - Vidaluz Meneses (Nicarágua)
A literatua como forma de vida na nova era - Lara Moreno (Espanha)
A literatura na educação básica: os óculos do Pajé na escola - Niminon Suzel Pinheiro Brasil)
A Narrativa Poética - Glória Dávila (Peru) III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
14h30 Leitura de contos infantis Zé do Caixão Palavra Lúdica
15h às 18h Palestras:
Metade Cara, Metade Máscara - Eliane Potiguara (Brasil)
Amanda Pedroso (Paraguai)
Escritoras Latinoamericanas: a construção do espaço da autora - Araceli Otamendi (Argentina)
O Profissionalismo: a importância para a credibilidade da mulher - Cristina De La Concha (México)
Mediadora: Nilsa Amaral III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
18h às 20h Café Literário e Encerramento III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
20h O Ofício do Escritor e a Literatura Policial Mário Prata Palavra Exposta
20h Show: Tunai Acústico – 25... Ou Mais Tunai Palavra Sensorial
9 de Maio (Domingo)
15h Me Leva Mundão Maurício Kubrusly Palavra Exposta
15h Os Sertões: a Terra, o Homem, a Luta Pascoal da Conceição Palavra Em Cena
Todos os direitos reservados
domingo, 18 de abril de 2010
O Relógio
Sua precisão
Seus ponteiros
Seus números
Sua falta de tempo
E, aborrecido da vida
Fugiu de casa
Para nunca mais voltar
domingo, 28 de março de 2010
Meu menino em seu reino
no seu pequeno reino
entre poemas
e quadrinhos
entre o violão
e a tv
meu menino está lá
labirinticamente escondido
entre as cores e o branco
entre Che e Amélie
hipnotizado pela beleza
seduzido pelo som
meu menino
reinando sozinho
esperando sua princesa
que chega de mansinho
procurando se aconchegar
num canto escondido.
domingo, 21 de março de 2010
A menina que não sabia brincar
[para você, incondicionalmente]
Será que esse menino
que brinca de poeta,
jogando com as palavras,
balançando os corações das meninas,
tem o dom de perdoar?
Perdoar
o ceticismo e o medo
que aquela menina
tem de se apaixonar.
Será que esse menino
que brinca com o violão
vai entender aquela menina
com as dores que marcam seu coração?
Menina malvada
não sabe brincar,
pois anda desacostumada,
falando que não quer amar.
Perdoa,
menino trovador...
perdoa a menina medrosa
ela, às vezes, não sabe o que diz...
Abrace essa tola
e ela há de esquecer,
deixará de dar bola
para o medo de sofrer.
terça-feira, 16 de março de 2010
azul de bromofenol
ela por todos os lados
por todos os poros
na inspiração
na expiração
na transpiração
azul
azul céu de tempestade
azul céu de primavera
no vestido anil em que ela chega
no sopro celeste do minuano
que desmancha
o laço marinho de seu loiro cabelo anilado
a fita cai no colo dele
laça duas vidas
assim
simplesmente cárdeo
mas a água turquesa da chuva
confunde-se com a safira dos seus olhos castanhos
que somente veem a sombra cerúlea feita por ela
e a vida concentra-se
no sorriso envolto em azul
do rosto anil dela
segunda-feira, 15 de março de 2010
Vida
vai
chega
sai
anda
cai
levanta
ai...
aponta
fere
recua
sente
pensa
sofre
chora
parte
para
olha
longe
duvida...
sabe!
estuda
difere
encara
elide
dói
desvia
corrói
enfrenta
Vida!!!
sábado, 6 de março de 2010
osmitosemmim
meus joelhos doem
meus braços formigam
meus ombros carregam o peso do mundo
Atlas
meu corpo pede calma
minha mente pede paciência
meus rins não querem funcionar
minha alma pesa chumbo
Hefesto
tive vontade de saltar
tive ímpeto de voar
tive ânimo para calar
meus pulmões querem ar
Apolo
mas tudo é tão complicado
mas as coisas estão fora do lugar
mas talvez eu não queira mais o que queria
Éris
hoje espero por ar
por um pouco de sol
por nada que pese no pensamento
hoje só
a leveza e o ardor
do Amor
Eros
quinta-feira, 4 de março de 2010
quase
num céu quase limpo.
Na rua quase deserta,
uma alma vagando
oscilante
entre quase cheia
e quase vazia...
sábado, 27 de fevereiro de 2010
indigestão
e de se concentar em bobagens, mesquinharias e fofocas]
seu vizinho
seu colega
seu companheiro
indigestão
e destruição
para
palhaço
bailarina
músico
boneco
bruxa
maria
joão
leão
princesa
e inventor
todos dispostos a engolir o outro
sem antropofagia
sem glória
sem honra
eliminação total e desnecessária
se juntos formariam um
isolados formam nada
pó
sem palco
sem luz
sem som
sem público
sem palmas
silêncio total e absoluto
um espetáculo
que não provoca sentimento algum
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Relativizando
No rosto,
a neblina
encobre um sorriso.
Um sorriso que iluminaria o mundo.
Mundo que acabará em água.
Tempo é algo relativo,
às vezes,
para.
Para com dedos percorrendo cordas
de guitarra.
Saudades do violão.
Pela metade
com a cabeça na praia
ou na serra?
ou na capital?
ou no campo?
ou, quem sabe, na lua?
Espaço é algo relativo,
por vezes,
inexiste.
Dedos agora no teclado.
O monitor dispersa,
vagamente,
a chuva d'alma.
Será que chove lá?
Água desaba dentro dele
e engole o sorriso.
O sorriso que mudaria o mundo.
Saudades do violão.
Saudades do passado perfeito
_____[e também do imperfeito.
Saudades do futuro do passado.
Indicativo ou não.
E o dia chuvoso,
chuva lá
chuva aqui,
ele passa assim:
pela metade
separado de si mesmo
tentando se completar,
ora tocando
ora teclando.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Minha viagem particular e diária
para onde vão meus pensamentos?
Quando percebo
já viajei de um passado fantasioso
para um futuro tão hipotético
que fica evidente a impossibilidade de se realizar.
Por alguns poucos períodos
me esforço pra me fixar na verdade
na realidade que desfila diante dos meus olhos.
Sofro.
Choro
Prometo me controlar.
Parar de sonhar.
Mas logo depois estou novamente divagando
passeando
entre o sonho do passado
e a maravilha do futuro
não há como controlar o destino dessa viagem
e fatalmente me machuco novamente.
Assim sigo minha vida
com meus pés no chão
com minha cabeça na lua
com uma ferida aberta no coração.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Saudades
do seu toque
da sua voz
do seu olhar
Incompleta
como se
de repente
me desse conta
que esse tempo
em que a vida fluiu sem travas
sem convenções
naturalmente
não existiu
Hoje acordei com saudades
de um tempo
que eu nem sei se vivi
mas que permanece em mim
como um sonho bom
sábado, 2 de janeiro de 2010
Nas pontas dos dedos
Desenha o rosto, os olhos, quer levar esse olhar para sempre junto contigo. A boca. Sente por não haver como desenhar o beijo, o gosto daquela boca na sua. O queixo, a barba que começa a despontar e se enrosca no cabelo displicente dela.
Desenha o seu pescoço, o ombro, vai guardar a maciez da pele de seu peito, das suas costas, do seu rosto. Desenha seus braços, suas mãos, com suas marcas e suas cicatrizes.
O relógio é insistente e incessante.
Não pode perder tempo, é necessário guardar cada informação, cada desenho, cada centímetro, todas as marcas e toda cor.
Entretanto sabe que a a luta é dura e nula. Mais rápido de que gostaria, aproxima-se a hora da partida. Aproxima-se o tempo de ir.
Ela vai mas, à surdina, carrega o desenho daquele momento nas pontas dos dedos.
sábado, 12 de dezembro de 2009
No Império do Silêncio
Ledo engano.
Sua boca procura a nuca. O sonho lentamente vai se misturando com a realidade. As imagens chegam difusas. A figura dos olhos dele contribui para aumentar a confusão. O hálito quente em sua boca a desperta de vez. Ao alcance de suas mãos está o rosto, o peito, os braços, o corpo há pouco sonhado.
Não há palavras, não há barulho. No império do silêncio se desenvolvem os sonhos comunicados pelo olhar.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Numa cidade
você me disse
que numa cidade
ali
existe alguém
que me observa
que se atrai
que me atende
e que me disse
que numa cidade
distante
existiu alguém
que se interessou
que me viu
e que me disse
que numa cidade
em algum lugar
existiria alguém
que se importaria
e que uma vez
me diria....
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Volúvel
Minha alma é 100% água
é a água da tempestade
destrói tudo
varre muros e asfaltos
arranca árvores e carrega carros
para a vida de todos
é a água que evapora
e vaporosa forma nuvens lânguidas
vapor em todas as partes
em todos os lados
em todos os poros
é a água dos rios
fura pedras
se esconde em cavernas
se refaz
e surge de novo
vitoriosa
é a água da garoa
chora de mansinho
faz surgir um pequeno arco-íris
mas mal se sente a sua presença
é a água da piscina
represada
presa
servil
mas fatal
é a água da lágrima
corre pelo rosto inocente da criança
que logo a esquece
vai brincar
é a água do corpo
suado e moído pela força do trabalho
explorada
vendida
é a água da saliva
beijo apaixonado
esperado
totalmente entregue
totalmente vida
Minha alma é volúvel
Minha alma abraça o mundo
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Subjuntivo
Na certeza de não sentir
Tivesse forças
Para ir
Sair
Em paz
Com meus pensamentos...
Mas há dúvida
Entre servir
Ou partir.
Espero.
Meus sonhos
Em acalento.
Talvez a paciência
E um pouco de paz
Façam meu coração ferido
Pulsar novamente
No ritmo certo.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
no abismo
Ou se fico
A mão pega a caneta
E sobre o papel limpo
Solta o lápis
Os dedos correm sobre o teclado
O monitor em branco denuncia
Silêncio
As mãos
Os olhos
O coração
O corpo todo
Apenas espera
Não há voz
Nem aqui
Nem lá
Não vou
Não fico
Permaneço ausente
No abismo
Entre o nada
E o lugar nenhum.
sábado, 31 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
Abusivo
Já lhe dei meu tempo
meu amor
minha atenção
meu latim
você me quis mais
pediu compreensão
pediu paciência
pediu tolerância.
Não sei não
mas acho que o valor já está abusivo.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Marca
Sem saber se foi ilusão ou verdade
Meu corpo denuncia a sua presença
Tenho ainda
Seu braço marcado na minha mão
Seu cheiro no meu pescoço
Seu gosto na minha boca
Sua voz no meu ouvido
Sua pele na minha pele
Mas tenho poucas lembranças
Uma promessa vaga
Um pedido sussurrado
Um beijo mais demorado
Você foi
E me deixou completa.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Súplica Riopretense

Oh! Deus será que o senhor se zangou,
Oh! Senhor,
Oh! Meu Deus,
to, Meu Deus, perdoe encher meus olhos d'água,
Desculpe, pedir a toda hora,
Oh! Senhor,
Violência demais, fome demais, falta demais, promessa demais, seca demais, chuva não tem mais!
Lá no céu demais, chuva tem, tem, tem, não tem, não pode tem, é demais.
Falta demais, é demais, chuva não tem mais, seca demais, roubo demais, povo sofre demais.
Oh! Deus.
Oh! Deus. Só se tiver Deus. Oh! Deus.
Oh! fome. Oh! interesse demais, falta demais...!
Despertar
O sol ainda preguiçoso recusa-se a acordar. Mas é dia. Dia cinza. Sabe que é necessário sair. O relógio toca pela segunda vez. Vai se atrasar.
O cheiro do orvalho, da grama, da terra. Ela não quer. Deita mais uma vez. Quer o calor da cama e o acalento dos sonhos. A luz fraca lhe acaricia o rosto. A hora de levantar já passou há muito. Não há mais como prolongar o calor da cama e das cobertas. Levanta
O sangue devagar corre por todo o corpo. Pode senti-lo nos pés. A bruma branca brinca sobre o verde molhado. O corpo caminha devagar.
No espelho, o rosto desconhecido e sonolento. Água corre pela torneira. O tempo passa, ela precisa ir. Por quê? Para onde?
No espelho procura a resposta. Há quanto tempo?
O coração se aperta. Não sabe. Não sabe mais. Procura no passado, não encontra. Aquela paixão pelo imediato passou. O futuro lhe parece uma grande incógnita. Para quê? Pergunta ainda mais uma vez para os olhos vazios que lhe fitam.
A Aurora tinge o dia cinza com seus dedos rosas delicados.
Ela não consegue se mexer. E as respostas? O modo automático não funciona mais. Precisa de outro meio.
As mãos cheias de água alagam o rosto. Uma, duas, três vezes. Aos poucos os olhos vidrados voltam à vida. A paz ameaça retornar suavemente ao peito. Ela se troca e sai. Sem olhar para trás.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
I want a black
suas mãos
seu rosto
seu cheiro
I want a black
suas histórias
seus ideais
sua força
I want a black
sua paixão
seu amor
sua raiva
I want a black
como Zumbi
como Orfeu
como Otelo
I want a black
para ser meu
I want a beautiful
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Antropofagia
ela devora
seus amores
seus sonhos
seus pensamentos
suas lembranças
até restar
só
sua pessoa
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Queria
Com os pés descalços
Na praia
Sentir o gelo da água
O calor da areia
O vento soprando no meu rosto
Avançando sobre meus pensamentos.
Queria mergulhar
No mar
Andar até não sentir mais
O chão sob meus pés
Sentir meu corpo
Solto
Seguro
Instável
Envolto nas águas que me abraçam e me acalmam.
Queria ir
Para uma ilha
Sem o tempo que marca o seu passo sem parar
Sozinha com minhas lembranças
Perdida no horizonte do azul sem fim.
Queria poder
Perder os sonhos
Em que me perdi.
domingo, 6 de setembro de 2009
Nunca ou Sempre
Sinto saudades
da boca que nunca beijei
das mãos que nunca me tocaram
dos braços onde nunca que encostei
do rosto que minhas mãos nunca alcançaram
das palavras que vieram de longe
Sinto falta da realidade que eu sonhei para mim.
Venha
Olhe nos meus olhos e me dê a segurança que preciso para enfrentar o novo. Veja dentro de mim e se encontrará aqui. Você já ocupou meus pensamentos, bagunçando toda a razão existente no meu coração que era tão gelado e hoje pulsa quente quase não cabendo no meu peito desacostumado.
sábado, 22 de agosto de 2009
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
O Salto
Ela resiste, ainda carrega na pele a lembrança da última queda. As cicatrizes estão ali. O salto não parece uma opção, volta-se e pela primeira vez visualiza a floresta pedrificada onde esteve presa por tanto tempo. Suas pernas doem. O sol bate em seu rosto. Depois de tanto tempo no breu, no meio das pedras úmidas, a luz a incomoda. Pensa em voltar, lá não haveria quedas nem hematomas a serem tratados, só alguns espinhos que ela já conseguia remover sem maiores dores.
Mas a luz esquenta seu corpo, entra na sua pele. Olha novamente para o precipício. O céu está azul, como há muito não via. O vento lhe sussurra palavras doces que lhe refrescam a alma. Só mais um passo e já sente o chão começar a ceder sob seus pés descalços.
O vento a abraça e a chama. Ela deseja. Mas quem a segurará no fim do salto? O vento mexe em seus cabelos e a arrepia. Sente seus pés ainda darem um último passo. O vento a envolve. O medo acabou.
domingo, 2 de agosto de 2009
Beijo
Já pode ser visto sem esforço, ele está muito mais perto agora. Pode reparar em seu rosto. Vem sorrindo. Sorriso doce, tímido, de canto de boca.Realmente é um homem lindo. Traz a mochila nas costas. Parece que fugiu de casa. Seus olhos doces encontram os olhos assustados dela. O sorriso ilumina seu rosto. Segura firme a alça da mochila. Caminha decidido em direção a ela. Olhar fixo e doce. Pensamentos vagando nos sonhos que teve durante a viagem.
Poucos passos os separam agora, depois de tanto tempo de espera.
Ela segura sua bolsa com força. Olha uma última vez para a porta. O céu está cor de baunilha. Chovem folhas na rua. O vento faz todo mundo procurar abrigo. Ela volta-se para ele. Ele está lá. O sorriso. Os olhos. Não há mais como fugir. Ela não consegue se mexer. Com esforço estende a mão e lhe toca o rosto. Precisava saber se era verdade.
Sente sua respiração. Seu coração. Perde-se nos olhos dele. O mundo para naquele instante, afogado naqueles olhos.
Ele a abraça pela cintura. As mãos dele procuram os cabelos dela. Sonhava com esse cheiro. Não havia palavras a serem ditas. Chove. As pessoas correm. Para aqueles dois nada disso importa. Os olhos agora procuram as bocas. Não há mais ninguém aqui.
domingo, 12 de julho de 2009
acaso
Agora está nas mãos do acaso. A falta de controle a angustia. De repente tem uma vontade de sair correndo, seus pés procuram o caminho. A hesitação entre o racional e o emocional lhe gelam a alma. Sabe que deve fugir, mas só consegue andar uns passos em direção a saída, o resto do corpo não obedece. Não há saída. Não há como fugir.
A porta está ali, não pode parar de olhar para ela, a saída está aberta. Mas seus pés não se movimentam. Seu corpo não aceita ordens. Sua cabeça vai explodir.
O tempo passa sem parar, o relógio da torre bate. Que horas são? Não consegue descobrir. Seus olhos veem mas não enxergam.
Seu coração bate no pescoço. Ânsia. O mundo infla, as coisas tomam proporções absurdas. Onde estaria o seu juízo?
Os acontecimentos imediatos montam-se e desmontam-se na sua mente, tal como um jogo de Lego. Quantas são as possibilidades? Não há como contar. Não há como saber.
Olha mais uma vez a saída, está mais perto, é quase palpável. Não há como saber. O mundo desajustado. Os relâmpagos em sua mente. O coração lhe toma o corpo todo. Não há como saber.
A vida toda na agenda passa por sua cabeça em tempestade.
O gelo na alma. A saída. O coração. Que horas são? Será que ainda há tempo para alcançar a saída? O relógio se nega a lhe informar o tempo.
O sino novamente. O tempo de fugir acabou. A saída se afasta lentamente. O mundo desconhecido se abre colorido para ela.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
devagar
De repente todos os seus pensamentos tem um só foco. A luta para se livrar dessa situação é consentante e nula. Sua imaginação assume vida própria, paralisando o seu corpo e a sua percepção.
A luz caminha sorrateiramente pela sala denunciando que o tempo passa sem parar. Mas, em sua volta, tudo é incensivél a isso e continua a sua trajetória no ritmo que ela impôs, devagar.
Quem mexeu em seu mundo? Em uns breves momentos, sente saudades do turbilhão de pensamentos que sempre lhe povoavam a alma. Não havia processamento, os movimentos sempre mecânicos e iguais, mas a estabilidade era confortável.
Agora essa angústia, o medo do novo e do desconhecido lhe gelam por dentro. O inesperado lhe tira o chão e em um momento não ha mais onde se agarrar. Ela perdeu o controle.
Solta, sem a confortável rotina, segue vendo o mundo passar colorido e devagar por ela
sexta-feira, 26 de junho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
Quanto tempo o tempo tem?
"O que você fez hoje?" é a pergunta de sempre, enquanto os braços a envolviam e ela podia finalmente sentir a segurança de ter chegado onde precisava chegar. Ele ouve falar dos filhos, do chefe, da mãe, das brigas entre a família. Seus dedos fortes e longos penetram no cabelo dela, desmancham os cachos, denunciam sua presença, deixa seus pelos em ponta. O sorriso de todos os dentes inquebrável e eterno. O calor de seu corpo se sente por todos os poros.
Onde ele esteve por tanto tempo? Durante alguns momentos as dúvidas do passado passeiam por sua mente. Afinal por que ele havia feito aquilo? Por que se afastara sem explicação? A angústia apertava o peito, quase sente o mundo a tragar de novo, mas logo a dúvida é espantada para longe. Ele está ali, nunca saiu de verdade. Ao seu lado. Descobrindo-a. Encantando-a. O ar gelado da janela aberta lhe percorre a espinha. Sabe que está andando sobre gelo fino. Mas seus cabelos fartos e grossos. Sua boca rosada. Seu peito macio. Não poderia arriscar. Quanto tempo teria ainda?
Aconchega-se no seu peito, seu braço a envolve com carinho e determinação. Aninha-se ainda mais. O tic-tac do relógio podia se ouvido claramente agora, mistura-se com as batidas do seu coração na boca do estômago.Ela se recusa a escutar. Pouco pode ser feito. O barulho denuncia o tempo que passou.
Um último beijo. Uma última carícia. Um último olhar. O doce dos olhos, a agressividade da barba, os braços acolhedores vão sumindo na névoa que em um momento surge de repente e o abraça para longe. A lágrima escorre pelo rosto, colando os cachos desmanchados na face desfigurada.
Abre os olhos. O mundo se fecha no habitual.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
A farsa
Adolescente chamava a atenção mais pela empáfia do que pela beleza, apesar dos olhos, não de ressaca mas amendoados e fortes, e dos cabelos, sempre soltos secos ao vento. As calças rasgadas e as camisetas surradas. Não se preocupava com isso. Teve os seus momentos entre os 15 e 18 anos, quem não é bonito aos 18 anos? Hoje sabe que talvez tenha cometido muitos erros no passado, deveria ter olhado com mais atenção, havia um gesto, um sorriso, um abraço perdido em algum período remoto que deveriam ter sido vistos, mas ganância adolescente ocultou. Quando? Ela não sabia quem era.
Mas, agora? A vida já não havia passado? Olhos carregavam as marcas do cansaço sem perder o amendoado que os deixavam um pouco doce, o cabelo cacheado desmanchou-se sozinho com o tempo e falta de cuidado. Suas roupas envelheceram antes que ela. Seu bonde da história estava há muito perdido.
O que ele poderia ver nela? As marcas da vida que escolheu? A pose de forte que ainda carregava? Não haviam mais os cachos. Não havia mais a silhueta delicada. Não havia mais a maciez da juventude.
Ele a idolatrava, ela podia ver nos olhos dele. As palavras eram escolhidas com cuidado entre os momentos de gagueira. As mãos dele, ásperas, rudes e fortes, não sabiam onde ficar enquanto a boca tentava falar algo minimamente coerente. O cenário a deixava orgulhosa e ao mesmo tempo amedrontada.
A fantasia a deixou despida no meio da rua. A farsa não poderia continuar.
Fez o que faz de melhor.
Fugiu
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Pensamos
Como nós pensamos
Mas as palavras já entraram na minha cabeça...
Grafismos sem sentido
Perambulado
Sorrateiros
Pelo consciente
Ideogramas
Alfabetos
Trauma
Quando meu filho era pequeno era somente uma incógnita
(hoje, o que ele é?)
Quem entende o que vê?
X, Y, Z, @, α e β
Organizam o mundo
E se o organismo não se adapta entre a assimilação e a organização?
domingo, 25 de janeiro de 2009
Idade para ir ao teatro
Me lembro da adolescente, na correria de todo adolescente que sempre acha que a vida vai terminar em 5 segundos, sem dar tempo de fazer nada, apesar de estar sempre fazendo algo, bem estava eu andando correndo pelo centro de Rio Preto e uma veraneio no meio do calçadão me chamou a atenção.
Colorida, fantasiada, maravilhosa. Meu mundo parou, junto com meus pés. Não havia mais para onde ir, o resto perdera a importância. Sentei no chão e esperei.
A peça era "Romeu e Julieta" do Grupo Galpão. Já havia lido "Romeu e Julieta", mas aquilo era diferente, aquilo era palpável, aquilo era apaixonante.
Tenho a oportunidade de morar numa cidade, que apesar de ser interior, tem um dos melhores festivais de teatro da América latina.
Sempre levei meus filhos ao FIT, lembro de levar o Igor no carrinho de bebê para assistir "A princesa Jia". No último festival, batemos o nosso recorde, assistimos a quase todas as peças infantis. Uma overdose teatral. Assistíamos a uma peça às três e outra às seis. Não escutei reclamação dos meus filhotes. Adoraram, fizeram até eleição das melhores peças!
Em janeiro agora outra maratona. "Em janeiro o teatro para criança é o maior barato", festival de teatro infantil a preços promocionais, R$ 1,99. Como não ir? Tentei levar alguns amigos dos meus filhos. Só tentei. Ouvia de suas mães o seguinte argumento: "Meu filho não gosta de teatro".
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Como pode uma criança de 7 ou 9 anos não gostar de teatro!
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Não entendo... Não tenho respostas... Não tenho palavras!
