quarta-feira, 29 de junho de 2011

tão cansada
tão cansada
q posso até ouvir os passos da angustia se aproximando
ela vem pousar sua mão sobre meu coração

meu coração para sob a mão pesada da angústia
alma cristalizada

a tarde avermelhada
a noite chega sem lua
nem estrelas

sábado, 25 de junho de 2011

Ao(s) meu(s) amor(es)

Sinto muito, meu bem
não posso lhe declarar meu amor único e verdadeiro

Eu já amei antes

No colégio, era apaixonada por um colega
amor velado
silencioso
fazia meu coração parar
e meu corpo tremer.

Na adolescência,
amei perdidamente,
à moda Capuleto,
um rapaz que vi uma única vez
foi muito tempo
na busca
de mais um olhar
mais um toque
um único beijo.

Conheci a paixão
na maioridade
violenta
intensa
e fugaz
deixou marcas e cicatrizes
difíceis de esquecer
impossíveis de remover.

Durante a faculdade,
veio de mansinho
um amor tranquilo
-no momento de calmaria-
avassalador
-durante a tempestade-
e entre chuva e bonança
construímos uma vida.
Até a água acumulada levar quase tudo

Já adulta,
meu amor chegou em outra forma
palavras carinhos ouvido e ombro
a distância e a proximidade
ao mesmo tempo
o tempo para mim e para ele
sem imediatismo
sem pressa

Mas não posso lhe afirmar meu amor único,
pois não o é.

Tive vários amores
todos importantes
cada um no seu tempo.
Eles permanecem lá,
no meu coração,
intactos.

Eu é que sou diferente.

domingo, 19 de junho de 2011

Poema Lexical

Os dois
pela Terra passeando
e estudando
e, como não podia deixar de ser,
trabalhando...

Eles não são daqui
não tentam a sorte na loteria
embora gostem da ideia do milhão
Euros
...
espertos
...

Não buscam o frenesi dos jogo com bola
gostam de jogos com palavras
ambiguidade
metáfora
polissemia
elipse
zeugma
hipérbole
_________curva ou não
a existência de uma forma não exclui a outra

as herméticas exigem um significado

Grego
ou
Romano?

papirófilo
ou
chartamaníaco?

mas eles não acreditam na sorte
não conferem os bilhetes...

por vezes, queriam estar juntos

todavia os caminhos
-e os planetas-
são diferentes
os encontros acontecem pela madrugada
à distância...

aqui e ali
o mundo no bolso
sobre as camas
até acabarem as baterias

domingo, 12 de junho de 2011

Metamorfose

chegou de surpresa
carinhos
cuidado
proteção

ela se acostumou
gostava
o toque
a tranquilidade
a leveza
a paz

tudo se encaixando

Sob o céu de baunilha
vida de margarina

mas a noite chegou
mais cedo que o esperado
e escuridão invadiu o corpo
já tão desacostumado

vieram junto
a ausência
a distância
o frio
o perigo

o peso

a mentira
inesperada
tola
inútil

o quebra cabeça
desmanchado sobre a mesa
não há mais mãos
pra juntá-lo
não há mais esperança
para fazê-lo

a dor paralisa
o frio congela
o coração para
de novo

O breu se aproxima rapidamente
não está sozinha
o medo a acompanha

sábado, 23 de abril de 2011

claustrofobia

pela janela aberta,
a brisa salgada
a noite escura
e o cheiro do mar
chegam devagarinho
mas ele está lá
fechado entre o quarto e a cozinha
com os pensamentos a lhe consumir

a boca formiga
a mão sua

o vento balança as cortinas
o ar não preenche seus pulmões

o corpo já não se cabe mais
o sangue
o copo
a tinta
explodem de ânsia

saca os fones
talvez o som ocupe
o vazio revolto
não é só
o coração diminuto ainda não se fez contente
precisa de mais

consistência inconstante

a casa diminui
o teto desce
o espaço se anula
ao lado
a porta
saída
a maneira de escapar
fugir

sai

agora
para onde ir?
não importa
o lado de fora
cansa o corpo
areja a alma

aos poucos,
o breu entra pelos poros
ocupa o espaço
reestabelece o frágil equilíbrio

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pena em processo

Pena a voar
Entre nuvens e chuvas
Pelo sol e pela brisa
Roda roda
Rodopia
Pia pia
Pião.

Volta feliz
Pena embebida em algodão
Vai devagar
Vagando
Andante
Busca o tato
Contato
Vida vibrante.

Por fim
choro
vazio
no chão,
pena esquecida.

domingo, 27 de março de 2011

Noite de Ártico

O sol se pôs.
O calor e a esperança,
a luz e o futuro
se esconderam pelas sombras.

A noite sem lua vem surgindo,
o medo ganha espaço,
o caminho desaparece entre a penumbra,
os olhos demorarão a acostumar.

Os lobos estão a espreita,
eu sei,
esperam um descuido,
um passo mal dado,
sentem o cheiro da solidão.

será uma noite de ártico,
longa e fria.

quarta-feira, 2 de março de 2011

eu

tenho a cabeça povoada por elfos, flores, coelhos e algarismos

tenho medo de que meus pés se percam no caminho entre um país e outro

de vez em quando, acredito que minhas pernas são curtas demais para alcançar meus mundos

será que posso cair no abismo que os separa?

mas levo o coração aberto
embora o peito fechado

na certeza de que sigo vivendo
pelo caminho navegando

por vezes olhando o céu
me guiando pelas estrelas

por vezes admirando a lua
das poças que encontro pela estrada depois da chuva.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

sol de fotografia

amanheceu
o sol desponta

há quanto tempo?

a névoa permanece
a dor permanece
o frio permanece
o escuro permanece

a indecisão
a falta
os calos

os caminhos aparecem
os pés no chão
o peito nas costas
a cabeça nas nuvens
não há para onde ir

o movimento estático
o sol de fotografia
os músculos não obedecem

amanhece
e anoitece
ao mesmo tempo
no instante da alma

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

entre a vontade e o temer

Saudades do sem medo
da coragem diante do enfrentamento
da volúpia do ser

mas a alma calejou
a água parece assustadora
o coração bate ressabiado

a mão avança
o corpo paralisa
o movimento recua

querer e não querer
no mesmo instante de tempo
a vontade e o temer
como numa rajada de vento

entre o desejar e o fazer
entre o receio e o meio
parada
sozinha
estou

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Palavra dentro de mim

tenho um texto pra fazer
há uma Palavra a me incomodar

inserida em mim
passeia pelo meu corpo
anda pelo coração
em uns instantes está no estômago
outros nos meus pensamentos
mas nunca chega a minha mão.

queria falar da tranquilidade
e do bem querer
queria transmitir tudo
que está aqui
queria descrever a maciez da voz
que ocupa meu ouvido
queria a Palavra
que concentrasse meus sentimentos
ficando ali sempre
expressa e viva no papel
assim, um dia de repente, poderia voltar
sorrateiramente para dentro de mim
carregando toda essa paz e esse amor

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

composição

no corpo
mil marcas
as causas ficaram no passado
as cicatrizes levará para o futuro

no coração
inúmeros pesos
seus amores
e seus dissabores

na alma
um milhão de penas
algumas pesadas encharcadas de lágrimas
outras levam o ar leve da manhã

na mente
o singular
e também o ordinário

no caminho
pedras que machucam
terra que marca
a pisada e a roupa

no ar as nuvens
marcam a rota
a opção
de levantar voo
quando necessário
ou não

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Leve

alma leve
corpo flutuando

o corpo na superfície da água
a alma vagando no céu
entre nuvens
buscando caminhos nas curvas estranhas
chegando
tão perto e tão longe
mas com a felicidade dentro
leva assim bem leve
a vida

o vento vai levar
e com o tempo
sei que vai voltar
com sua boca
com seu jeito
com sua voz
com seu beijo

saudades caminham aqui dentro
não machucam
deixam apenas
uma vontade
de te ter
de novo

te espero
te quero
por perto
leve
em breve

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Só dói

- Só dói.
- Mas o que, senhora?
- O corpo.
- A cabeça?
- É, mas não só.
- As pernas?
- Também mas a dor começa no peito e se espalha pelo resto, quando percebo, formiga e dói.
- Muito?
- O bastante para perder a noção de tempo e a sensação de presença.
O olhar fixo nela por um instante. Análise do caso. Procura no computador.Vasculha a grossa lista.
Fecha e livro e dá a sentença.
- Sinto, mas o remédio pra'alma acabou-se ontem, anda em falta no mercado.
- E agora?
- Não há o que fazer... pode-se tentar acostumar.
Respira, vira, sai. Sem opção tenta se habituar com a dor até hoje...

domingo, 19 de setembro de 2010

a paz daquele instante

a boca ainda guarda o gosto do último beijo
a alma a tranquilidade do último toque

o sentimento que invadiu e paralisou

naquele instante
o desejo guardado entre a garanta e o lábio
da palavra que ainda não foi dita
do carinho que ainda não foi dado

como
segurar a sua mão?
acariciar o seu rosto?
sentir o seu calor?
deitar no seu braço
e ouvir a sua respiração?

como se a vida tivesse parado
e que nada da porta para fora importasse...

Como se o mundo estivesse imóvel nesse instante...

domingo, 12 de setembro de 2010

no lado bom da memória

Uma conversa sobre a vida
a vida que passou
os deixou longe

Uma conversa sobre o tempo
o tempo que dá voltas
os trouxe ao mesmo lugar

Uma conversa sobre as histórias
as histórias que foram construídas
os uniu nessa noite

Uma noite
especial

Uma noite
magicamente clara

Uma noite
sem planos
sem expectativas

Uma noite
apenas noite

Uma noite
para ficar guardada
no lado bom da memória.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

anéis de vidro

a vida cansa
o corpo formiga
talvez não se aguente mais

os pés estão marcados
a alma machucada
o peso é enorme

anéis falsos
vidros que se quebram sem perceber
ferem os dedos e mais...

o tempo passa insolente
não nota o coração a bater
len
ta
men
te

lentamente a vida passa
levando os amores com ela
deixa só lágrimas e marcas
que um dia vão passar
também

no final,
sobrevivência
nessa roda que não para de girar

quinta-feira, 3 de junho de 2010

domingo, 30 de maio de 2010

Corpo Vazio

Sonhos como velas
derreteram-se entre os dedos
trêmulos
ansiosos
angustiados
inúteis

Caem desfeitos
irreconhecíveis
estropiados
no chão

Asfalto quente
restos de sonhos evaporados
vapor d'água
vapor de sonho
por todo canto

A vida
suspensa
pausada

Olhos
turvos
fixos
no triste desenho
no caminho
pingado

Chove de mansinho
água com água
sonho com solo

Alma
molhada
pesada
encharcada
bêbada

Escorrega
esvai-se com a enxurrada
afasta-se
no asfalto quente
molhado
colorido
pelos pingos
dos sonhos derretidos

domingo, 16 de maio de 2010

Virada Cultural

São José do Rio Preto

18h
Abertura Oficial com o espetáculo Estado Independente- Cia Borelli de Dança [DANÇA]
Local: TEATRO MUNICIPAL

18h30
DJ Ney Faustini [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

19h
Intervenção de Graffiti com o artista Boleta [GRAFFITI]
Local: AO LADO DO PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

19h30
Grooveria [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

20h - 22 de maio a 21 de junho
Abertura da Exposição "Encontro Marcado com Fernando Sabino" [ARTES VISUAIS]
Local: Casa de Cultura Dinorath do Valle

20h
CineGoethe – Em Julho [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO

20h
Cortejo de Maracatu – Cia Caracaxá [CULTURA POPULAR]
Local: ECO

20h30
Intervenção Circense com Irmãos Marambio I [CIRCO]
Local: EM FRENTE AO PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

20h30
Cartas a um Jovem Poeta – Ivo Müller [TEATRO]
Local: TEATRO MUNICIPAL

21h
Banda Megido [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

21h
Jam de Danças Urbanas - Cia. Discípulos do Ritmo e Convidados [DANÇA]**
Local: SESC RIO PRETO [ÁREA DA CONVIVÊNCIA]

21h30
B.E.C.O (B.boys em Construção Original) – Grupo Zumb.boys [DANÇA]
Local: ECO

22h
CineGoethe - Crazy [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO

22h
Intervenção Circense com Irmãos Marambio I [CIRCO]
Local: EM FRENTE AO PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

22h30
As Pagus [TEATRO]
Local: TEATRO MUNICIPAL

22h30
Tem Galega no Samba [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

23h
Intervenção Circense com Irmãos Marambio I [CIRCO]
Local: EM FRENTE AO PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

0h
Diogo Nogueira [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

0h30
Catacumbas [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO

0h30
Thalma de Freitas [MÚSICA]
Local: TEATRO MUNICIPAL

01h30
DJ Ney Faustini [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

02h
Afro-bege - Robson Nunes [TEATRO]
Local: TEATRO MUNICIPAL

02h30
Matadores de vampiras lésbicas [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO

11h
100+ Nem Menos- Cia Noz de Teatro [TEATRO INFANTIL]
Local: TEATRO MUNICIPAL

11h30
Som de Um - Renato Gagliardi [MÚSICA] **
Local: SESC RIO PRETO

13h
Enquanto Houver Encanto - Grupo Oculto do Aparente [CIRCO]
Local: TEATRO MUNICIPAL

14h
Milocovik [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

14h
Garoto Cósmico [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO

15h
Tem Gonzaga no Molho - Carlinhos Antunes & Quinteto Mundano [MÚSICA]
Local: TEATRO MUNICIPAL

15h
Tuingo e Batatinha - A Dupla de “2” Gigantes – Cia. BuBiÔ, FicÔ LÔ! [CIRCO]
Local: ECO

15h30
Vivendo do Ócio [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

16h
Intervenção Circense com Irmãos Marambio I [CIRCO]
Local: EM FRENTE AO TEATRO MUNICIPAL [REPRESA]



16h
Festival do Minuto – Os Melhores de 2009 [CINEMA]
Local: CINE ELDORADO

16h
TAÍ... NA-NI-CA!!! - Cia da Casa Amarela [TEATRO] **
Local: SESC RIO PRETO [TEATRO]

16h30
Badi Assad [MÚSICA]
Local: TEATRO MUNICIPAL

17h
KAMI [MÚSICA]**
Local: SESC RIO PRETO [LANCHONETE]

17h
Mudhoney [MÚSICA]
Local: PALCO EXTERNO - ANFITEATRO NELSON CASTRO [REPRESA]

quinta-feira, 29 de abril de 2010

balanço

a tempestade uma hora desanuvia
o calor de repente chora

a nuvem pode esconder o luar
a lua por vezes elide o sol

a água pesada muitas vezes corre sem barreiras
a água acanhada mesmo sem querer sobe ao infinito

o caminho não permanece sempre reto
a curva uma hora se endireita

a vida eternamente no vai-e-vem
nosso destino no balanço do tem-não-tem

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Gosto

Gosto de chocolate
Gosto de flores
Gosto de poemas
Gosto de amores

Gosto de ficar junto
Gosto de carinho
Gosto de passear
de mãos dadas pelo caminho

Gosto de beijo
Gosto de cafuné
Gosto do seu jeito
de alisar o meu cabelo

Gosto de ver a Lua
Gosto de jogar conversa fora
Gosto de dormir
sem você me deixar ir embora

E como quem não quer nada
assim vou ficando
Com um dia de cada
de repente estou lhe amando

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Bienal do Livro em Rio Preto

Crianças, meninos e meninas do meu Brasil, vamos? Não mata ninguém.... acontece só uma vez a cada dois anos...
Abaixo segue a programação, grifei as atividades em que eu gostaria de ir... mas sintam-se à vontade para usar e abusar desta chance!!!!


Programação

30 de Abril (Sexta-feira)

8h Espetáculo: Pai do Mato Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
14h Espetáculo: Pai do Mato Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
20h Partimpim Dois Adriana Calcanhotto Palavra Sensorial


1ª de Maio (Sábado)

9h30 Pedagogia da Gentileza Gabriel Chalita Palavra Exposta
20h Tocar na Banda Vânia Bastos Palavra Sensorial
20h30 As várias Faces de Hilda Hilst Rosaly Papadopol Palavra em Cena


2 de Maio (Domingo)

10h Ética e Mìdia Caio Túlio Costa Palavra Exposta
14h30 Leitura de Poemas Antônio Calloni Palavra Em Cena
15h Pobre Gosta de Luxo, Quem Gosta de Miséria é Intelectual Joãosinho Trinta Palavra Exposta


3 de Maio (Segunda-feira)
8h Espetáculo: Traquinagens Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
10h Música Poesia Maritza Nuñes Palavra Lúdica
14h Espetáculo: Traquinagens Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
15h30 Oficina: O Dia do Saci: contos e curiosidades Hamilton Luiz Pereira Palavra Lúdica
16h Nabuco e a civilização brasileira Daniel Piza Palavra Exposta
19h Fontes da Criação Literária Alfredo Leme Coelho de Carvalho, Salvatore D'Onofrio, Antônio Manoel dos Santos Silva, Hygia Therezinha Calmon Ferreira, Zêqui Elias e Rosalie Gallo y Sanches. Palavra Exposta
19h30 Apresentação Escola Viva Palavra Sensorial
20h Exibição do Filme: Tieta do Agreste Cacá Diegues Palavra Filmada
20h30 Show: Meninos de ouro da Missão Resgate Missão Resgate Palavra Sensorial


4 de Maio (Terça-feira)

8h Espetáculo: Magia Musical Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
10h Oficina: Quebra-Cabeças dos Contos de Fadas Ingrid Biesemeyer Palavra Lúdica
14h Espetáculo: Magia Musical Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
15h30 Espetáculo: Candim Cia. da Casa Amarela Palavra Lúdica
16h Ponto de Cultura: O Brasil de Baixo Para Cima Célio Turino Palavra Exposta
19h Como conquistar quem não gosta de ler Pedro Bandeira Palavra Exposta
19h30 Apresentação de Dança Aprodança Palavra Sensorial
20h Exibição do Filme: O Grande Mentecapto Oswaldo Caldeira Palavra Filmada
20h30 A Palavra Poética em Cena Hélio Cícero Palavra Em Cena

5 de Maio (Quarta-feira)

8h Espetáculo: Música Maestro Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
10h A História do Livro no Brasil Gentil de Faria Palavra Exposta
10h De onde veio a palavra que veio da palavra de onde veio? Cia. Forrobodó de Teatro e Cultura Popular Palavra Lúdica

14h Espetáculo: Música Maestro Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
15h30 Música Poesia Maritza Nuñes Palavra Lúdica
18h Processo de criação: inspiração existe? Qual o papel do professor na formação do autor e do leitor? Ignácio de Loyola Brandão Palavra Exposta
19h30 Mostra Regional Projeto Guri Projeto Guri Palavra Sensorial
20h O Código da Inteligência - A Excelência Profissional e Emocional Augusto Cury Palavra Exposta
20h Exibição do Filme: Memórias Postumas de Brás Cubas André Klotzel Palavra Filmada


6 de Maio (Quinta-feira)

8h Espetáculo: "Menino, vou te contá" Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
10h Oficina: Brincando de Ilustrar Mileny Goto Palavra Lúdica
14h Espetáculo: "Menino, vou te contá" Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
15h Valores e Competências da Educação Familiar e a da Escolar Rosely Sayão Palavra Exposta
15h30 Palavra Sonora Preto Moreno Palavra Lúdica
18h A Nossa Língua Pasquale Cipro Neto Palavra Exposta
19h30 Show de Hip Hop Casa do Hip Hop Palavra Sensorial
20h O Velho, o Novo e os Novíssimos Testamentos José Roberto Torero Palavra Exposta
20h Exibição do Filme: Quincas Borba Roberto Santos Palavra Filmada
20h30 Memórias do Mundo: Um Olhar sobre Borges João Paulo Lorenzon Palavra Em Cena


7 de Maio (Sexta-feira)

8h Espetáculo: Respeitável Público Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
10h Filosofia e Literatura Márcia Tiburi Palavra Exposta
10h Espetáculo: A Mulher Que Matou os Peixes Cia Poleiro dos Anjos Palavra Lúdica
11h30 às 12h30 Abertura Solene e apresentação das escritoras III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
14h Espetáculo: Respeitável Público Cia. Manoel Kobachuk Palavra Sensorial
15h30 Espetáculo: Princesa Diva, Adivinha Cia. Da Boca Palavra Lúdica
15h às 18h Palestras:
Amor e Criação. A Mulher e o Desejo - Mônica López Bordon (Espanha)
Diálogo e Preconceito - Isabel Hernandez (Brasil) Alicia Torres (Uruguai)
Sagração do Alfabeto - Leonor Scliar (Brasil)
A mulher e a criatividade” - Bella Ventura (Colombia)
Mediadora – Nilce Lodi (Brasil) III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
18h Café Literário – Homenagem a Raquel de Queiroz III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
18h30 Estética da Oralidade: Literatura Oral Popular Romildo Sant'Anna Palavra Exposta
20h Criação Literária Moacyr Jaime Scliar Palavra Exposta
20h Exibição do Filme: Tieta do Agreste Cacá Diegues Palavra Filmada
20h Pocket Show Wagnão Moraes e Lívia Palavra Sensorial

8 de Maio (Sábado)


10h às 13h Palestras: O desenvolvimento humano das mulhere e sua promoção artístico-literária - Vidaluz Meneses (Nicarágua)
A literatua como forma de vida na nova era - Lara Moreno (Espanha)
A literatura na educação básica: os óculos do Pajé na escola - Niminon Suzel Pinheiro Brasil)
A Narrativa Poética - Glória Dávila (Peru) III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
14h30 Leitura de contos infantis Zé do Caixão Palavra Lúdica
15h às 18h Palestras:
Metade Cara, Metade Máscara - Eliane Potiguara (Brasil)
Amanda Pedroso (Paraguai)
Escritoras Latinoamericanas: a construção do espaço da autora - Araceli Otamendi (Argentina)
O Profissionalismo: a importância para a credibilidade da mulher - Cristina De La Concha (México)
Mediadora: Nilsa Amaral III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
18h às 20h Café Literário e Encerramento III Jornada Internacional das Mulheres Escritoras Palavra Exposta
20h O Ofício do Escritor e a Literatura Policial Mário Prata Palavra Exposta
20h Show: Tunai Acústico – 25... Ou Mais Tunai Palavra Sensorial

9 de Maio (Domingo)

15h Me Leva Mundão Maurício Kubrusly Palavra Exposta
15h Os Sertões: a Terra, o Homem, a Luta Pascoal da Conceição Palavra Em Cena



Todos os direitos reservados

domingo, 18 de abril de 2010

O Relógio

Pegou
Sua precisão
Seus ponteiros
Seus números
Sua falta de tempo

E, aborrecido da vida
Fugiu de casa
Para nunca mais voltar

domingo, 28 de março de 2010

Meu menino em seu reino

meu menino está lá
no seu pequeno reino
entre poemas
e quadrinhos
entre o violão
e a tv

meu menino está lá
labirinticamente escondido
entre as cores e o branco
entre Che e Amélie
hipnotizado pela beleza
seduzido pelo som

meu menino
reinando sozinho
esperando sua princesa
que chega de mansinho
procurando se aconchegar
num canto escondido.

domingo, 21 de março de 2010

A menina que não sabia brincar

[para você, incondicionalmente]

Será que esse menino
que brinca de poeta,
jogando com as palavras,
balançando os corações das meninas,
tem o dom de perdoar?

Perdoar
o ceticismo e o medo
que aquela menina
tem de se apaixonar.

Será que esse menino
que brinca com o violão
vai entender aquela menina
com as dores que marcam seu coração?

Menina malvada
não sabe brincar,
pois anda desacostumada,
falando que não quer amar.

Perdoa,
menino trovador...
perdoa a menina medrosa
ela, às vezes, não sabe o que diz...

Abrace essa tola
e ela há de esquecer,
deixará de dar bola
para o medo de sofrer.

terça-feira, 16 de março de 2010

azul de bromofenol

o céu desce numa nuvem pesada

ela por todos os lados
por todos os poros
na inspiração
na expiração
na transpiração

azul
azul céu de tempestade
azul céu de primavera
no vestido anil em que ela chega
no sopro celeste do minuano
que desmancha
o laço marinho de seu loiro cabelo anilado
a fita cai no colo dele
laça duas vidas
assim
simplesmente cárdeo

mas a água turquesa da chuva
confunde-se com a safira dos seus olhos castanhos
que somente veem a sombra cerúlea feita por ela

e a vida concentra-se
no sorriso envolto em azul
do rosto anil dela

segunda-feira, 15 de março de 2010

Vida

vem
vai
chega
sai
anda
cai
levanta
ai...

aponta

fere
recua
sente
pensa
sofre
chora

parte

para

olha
longe

duvida...
sabe!

estuda
difere
encara
elide

dói
desvia
corrói
enfrenta

Vida!!!

sábado, 6 de março de 2010

osmitosemmim

meus pés cansaram
meus joelhos doem
meus braços formigam
meus ombros carregam o peso do mundo
Atlas

meu corpo pede calma
minha mente pede paciência
meus rins não querem funcionar
minha alma pesa chumbo
Hefesto

tive vontade de saltar
tive ímpeto de voar
tive ânimo para calar
meus pulmões querem ar
Apolo

mas tudo é tão complicado
mas as coisas estão fora do lugar
mas talvez eu não queira mais o que queria
Éris

hoje espero por ar
por um pouco de sol
por nada que pese no pensamento
hoje só
a leveza e o ardor
do Amor
Eros

quinta-feira, 4 de março de 2010

quase

Noite de lua quase cheia
num céu quase limpo.

Na rua quase deserta,
uma alma vagando
oscilante
entre quase cheia
e quase vazia...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

indigestão

[É incrivel a capacidade humana de se desviar do seu objetivo
e de se concentar em bobagens, mesquinharias e fofocas]
o homem abre a boca para comer o outro homem

seu vizinho
seu colega
seu companheiro

indigestão
e destruição
para
palhaço
bailarina
músico
boneco
bruxa
maria
joão
leão
princesa
e inventor

todos dispostos a engolir o outro

sem antropofagia
sem glória
sem honra
eliminação total e desnecessária

se juntos formariam um
isolados formam nada


sem palco
sem luz
sem som
sem público
sem palmas

silêncio total e absoluto
um espetáculo
que não provoca sentimento algum

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Relativizando

[Levemente nonsense, extremamente avec sense]

No rosto,
a neblina
encobre um sorriso.

Um sorriso que iluminaria o mundo.

Mundo que acabará em água.

Tempo é algo relativo,
às vezes,
para.

Para com dedos percorrendo cordas
de guitarra.
Saudades do violão.

Pela metade
com a cabeça na praia
ou na serra?
ou na capital?
ou no campo?
ou, quem sabe, na lua?

Espaço é algo relativo,
por vezes,
inexiste.

Dedos agora no teclado.
O monitor dispersa,
vagamente,
a chuva d'alma.

Será que chove lá?

Água desaba dentro dele
e engole o sorriso.

O sorriso que mudaria o mundo.

Saudades do violão.
Saudades do passado perfeito
_____[e também do imperfeito.
Saudades do futuro do passado.
Indicativo ou não.

E o dia chuvoso,
chuva lá
chuva aqui,
ele passa assim:
pela metade

separado de si mesmo
tentando se completar,
ora tocando
ora teclando.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Minha viagem particular e diária

Como controlar
para onde vão meus pensamentos?
Quando percebo
já viajei de um passado fantasioso
para um futuro tão hipotético
que fica evidente a impossibilidade de se realizar.

Por alguns poucos períodos
me esforço pra me fixar na verdade
na realidade que desfila diante dos meus olhos.

Sofro.
Choro
Prometo me controlar.
Parar de sonhar.

Mas logo depois estou novamente divagando
passeando
entre o sonho do passado
e a maravilha do futuro
não há como controlar o destino dessa viagem
e fatalmente me machuco novamente.

Assim sigo minha vida
com meus pés no chão
com minha cabeça na lua
com uma ferida aberta no coração.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Saudades

Hoje acordei com saudades
do seu toque
da sua voz
do seu olhar

Incompleta
como se
de repente
me desse conta
que esse tempo
em que a vida fluiu sem travas
sem convenções
naturalmente
não existiu

Hoje acordei com saudades
de um tempo
que eu nem sei se vivi
mas que permanece em mim
como um sonho bom

sábado, 2 de janeiro de 2010

Nas pontas dos dedos

Os dedos percorrem o corpo, ela quer guardar o seu desenho, a sua pele.
Desenha o rosto, os olhos, quer levar esse olhar para sempre junto contigo. A boca. Sente por não haver como desenhar o beijo, o gosto daquela boca na sua. O queixo, a barba que começa a despontar e se enrosca no cabelo displicente dela.
Desenha o seu pescoço, o ombro, vai guardar a maciez da pele de seu peito, das suas costas, do seu rosto. Desenha seus braços, suas mãos, com suas marcas e suas cicatrizes.
O relógio é insistente e incessante.
Não pode perder tempo, é necessário guardar cada informação, cada desenho, cada centímetro, todas as marcas e toda cor.
Entretanto sabe que a a luta é dura e nula. Mais rápido de que gostaria, aproxima-se a hora da partida. Aproxima-se o tempo de ir.
Ela vai mas, à surdina, carrega o desenho daquele momento nas pontas dos dedos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

No Império do Silêncio

As mãos acariciam os cabelos, desmancham os cachos displicentes. Ela dorme, mas se arrepia. O corpo se movimenta lentamente, procura, sonolento, se acomodar à nova situação. Entretanto a mão não para, passeia agora entre os cabelos revoltos na cama e as costas. Ele acha graça na cena. Isso não parece afetar muito o sono dela.
Ledo engano.
Sua boca procura a nuca. O sonho lentamente vai se misturando com a realidade. As imagens chegam difusas. A figura dos olhos dele contribui para aumentar a confusão. O hálito quente em sua boca a desperta de vez. Ao alcance de suas mãos está o rosto, o peito, os braços, o corpo há pouco sonhado.
Não há palavras, não há barulho. No império do silêncio se desenvolvem os sonhos comunicados pelo olhar.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Numa cidade

Uma vez
você me disse
que numa cidade
ali
existe alguém
que me observa
que se atrai
que me atende

e que me disse
que numa cidade
de lá
existia alguém
que me ouvia
que me valorizava
que me admirava

e que me disse
que numa cidade
distante
existiu alguém
que me percebeu
que se interessou
que me viu

e que me disse
que numa cidade
em algum lugar
existiria alguém
que me veria
que me escutaria
que se importaria

e que uma vez
me diria....

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Volúvel

Meu corpo é 70% líquido

Minha alma é 100% água

é a água da tempestade
destrói tudo
varre muros e asfaltos
arranca árvores e carrega carros
para a vida de todos

é a água que evapora
e vaporosa forma nuvens lânguidas
vapor em todas as partes
em todos os lados
em todos os poros

é a água dos rios
fura pedras
se esconde em cavernas
se refaz
e surge de novo
vitoriosa

é a água da garoa
chora de mansinho
faz surgir um pequeno arco-íris
mas mal se sente a sua presença

é a água da piscina
represada
presa
servil
mas fatal

é a água da lágrima
corre pelo rosto inocente da criança
que logo a esquece
vai brincar

é a água do corpo
suado e moído pela força do trabalho
explorada
vendida

é a água da saliva
beijo apaixonado
esperado
totalmente entregue
totalmente vida

Minha alma é volúvel
Minha alma abraça o mundo

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Subjuntivo

Se
Na certeza de não sentir
Tivesse forças
Para ir
Sair
Em paz
Com meus pensamentos...

Mas há dúvida
Entre servir
Ou partir.

Espero.

Meus sonhos
Em acalento.

Talvez a paciência
E um pouco de paz
Façam meu coração ferido
Pulsar novamente
No ritmo certo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

no abismo

Não sei se vou
Ou se fico

A mão pega a caneta
E sobre o papel limpo
Solta o lápis

Os dedos correm sobre o teclado
O monitor em branco denuncia
Silêncio

As mãos
Os olhos
O coração
O corpo todo
Apenas espera

Não há voz
Nem aqui
Nem lá

Não vou
Não fico

Permaneço ausente
No abismo
Entre o nada
E o lugar nenhum.

sábado, 31 de outubro de 2009

domingo, 25 de outubro de 2009

Abusivo

Quanto você vale?

Já lhe dei meu tempo
meu amor
minha atenção
meu latim

você me quis mais
pediu compreensão
pediu paciência
pediu tolerância.

Não sei não
mas acho que o valor já está abusivo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Marca

Acordei hoje
Sem saber se foi ilusão ou verdade

Meu corpo denuncia a sua presença
Tenho ainda
Seu braço marcado na minha mão
Seu cheiro no meu pescoço
Seu gosto na minha boca
Sua voz no meu ouvido
Sua pele na minha pele

Mas tenho poucas lembranças
Uma promessa vaga
Um pedido sussurrado
Um beijo mais demorado

Você foi

E me deixou completa.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Súplica Riopretense


Música
Súplica cearense
O Rappa
Composição: Luiz Gonzaga
Mas as imagens são de Rio Preto, dia 7 de outubro de 2009.....


Oh!Deus, perdoe esse pobre coitado,
que de joelhos rezou um bocado,
pedindo pra chuva cair, cair sem parar.
Oh! Deus será que o senhor se zangou,
e é só por isso que o sol se arretirou,
fazendo cair toda chuva que há .
Oh! Senhor,
pedi pro sol se esconder um pouquinho,
pedi pra chover, mas chover de mansinho,
pra ver se nascia uma planta, uma planta no chão.
Oh! Meu Deus,
se eu não rezei direito,
a culpa é do sujeito,
desse pobre que nem sabe fazer a oração.
Meu Deus, perdoe encher meus olhos d'água,
e ter-lhe pedido cheio de mágoa,
pro sol inclemente, se arretirar, retirar.
Desculpe, pedir a toda hora,
pra chegar o inverno
e agora, o inferno queima o meu humilde Ceará.
Oh! Senhor,
pedi pro sol se esconder um pouquinho,
pedi pra chover, mas chover de mansinho,
pra ver se nascia uma planta, planta no chão.
Violência demais, chuva não tem mais, corrupção demais, política demais, tristeza demais. O interesse tem demais!
Violência demais, fome demais, falta demais, promessa demais, seca demais, chuva não tem mais!
Lá no céu demais, chuva tem, tem, tem, não tem, não pode tem, é demais.
Pobreza demais, como tem demais!
Falta demais, é demais, chuva não tem mais, seca demais, roubo demais, povo sofre demais.
Oh! demais.
Oh! Deus.
Oh! Deus. Só se tiver Deus. Oh! Deus.
Oh! fome. Oh! interesse demais, falta demais...!


Despertar

Ela abre a janela, respira o ar gelado que deveria ajudar a despertar.
O sol ainda preguiçoso recusa-se a acordar. Mas é dia. Dia cinza. Sabe que é necessário sair. O relógio toca pela segunda vez. Vai se atrasar.
O cheiro do orvalho, da grama, da terra. Ela não quer. Deita mais uma vez. Quer o calor da cama e o acalento dos sonhos. A luz fraca lhe acaricia o rosto. A hora de levantar já passou há muito. Não há mais como prolongar o calor da cama e das cobertas. Levanta
O sangue devagar corre por todo o corpo. Pode senti-lo nos pés. A bruma branca brinca sobre o verde molhado. O corpo caminha devagar.
No espelho, o rosto desconhecido e sonolento. Água corre pela torneira. O tempo passa, ela precisa ir. Por quê? Para onde?
No espelho procura a resposta. Há quanto tempo?
O coração se aperta. Não sabe. Não sabe mais. Procura no passado, não encontra. Aquela paixão pelo imediato passou. O futuro lhe parece uma grande incógnita. Para quê? Pergunta ainda mais uma vez para os olhos vazios que lhe fitam.
A Aurora tinge o dia cinza com seus dedos rosas delicados.
Ela não consegue se mexer. E as respostas? O modo automático não funciona mais. Precisa de outro meio.
As mãos cheias de água alagam o rosto. Uma, duas, três vezes. Aos poucos os olhos vidrados voltam à vida. A paz ameaça retornar suavemente ao peito. Ela se troca e sai. Sem olhar para trás.

Asas

Asas de um anjo
Bateram tão forte na minha alma
Que a levaram pra longe



______________de mim

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

I want a black

(baseado na musica Black is beautiful de Elis Regina)
I want a black
suas mãos
seu rosto
seu cheiro

I want a black
suas histórias
seus ideais
sua força

I want a black
sua paixão
seu amor
sua raiva

I want a black
como Zumbi
como Orfeu
como Otelo

I want a black
para ser meu
I want a beautiful

Primavera

Lá fora, flores desabrocham
Em amarelo, rosa, azul
Aqui dentro, chove cinza em mim

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Antropofagia

Suavemente
ela devora
seus amores
seus sonhos
seus pensamentos
suas lembranças



até restar


sua pessoa

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Queria

Queria andar
Com os pés descalços
Na praia
Sentir o gelo da água
O calor da areia
O vento soprando no meu rosto
Avançando sobre meus pensamentos.

Queria mergulhar
No mar
Andar até não sentir mais
O chão sob meus pés
Sentir meu corpo
Solto
Seguro
Instável
Envolto nas águas que me abraçam e me acalmam.

Queria ir
Para uma ilha
Sem o tempo que marca o seu passo sem parar
Sozinha com minhas lembranças
Perdida no horizonte do azul sem fim.

Queria poder
Perder os sonhos
Em que me perdi.

domingo, 6 de setembro de 2009

Nunca ou Sempre

Sinto falta do que nunca tive

Sinto saudades
da boca que nunca beijei
das mãos que nunca me tocaram
dos braços onde nunca que encostei
do rosto que minhas mãos nunca alcançaram
das palavras que vieram de longe

Sinto falta da realidade que eu sonhei para mim.

Venha

Segure a minha mão e me leve por caminhos desconhecidos. Sei que as vezes posso parar e relutar em seguir por que o medo percorre as minhas veias e me congela os passos.
Olhe nos meus olhos e me dê a segurança que preciso para enfrentar o novo. Veja dentro de mim e se encontrará aqui. Você já ocupou meus pensamentos, bagunçando toda a razão existente no meu coração que era tão gelado e hoje pulsa quente quase não cabendo no meu peito desacostumado.

sábado, 22 de agosto de 2009

Se ventasse, meu corpo, minha alma e meus pensamentos voariam pelo céu em busca de um refúgio calmo onde pudessem se reintegrar e deixar de ser o pó a que foram reduzidos depois da queda.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Salto

Olha para baixo, a altura a deixa zonza, dá uma passo para trás, mas o vento refresca seu rosto, bagunça seus cabelos e a convida para o pulo.
Ela resiste, ainda carrega na pele a lembrança da última queda. As cicatrizes estão ali. O salto não parece uma opção, volta-se e pela primeira vez visualiza a floresta pedrificada onde esteve presa por tanto tempo. Suas pernas doem. O sol bate em seu rosto. Depois de tanto tempo no breu, no meio das pedras úmidas, a luz a incomoda. Pensa em voltar, lá não haveria quedas nem hematomas a serem tratados, só alguns espinhos que ela já conseguia remover sem maiores dores.
Mas a luz esquenta seu corpo, entra na sua pele. Olha novamente para o precipício. O céu está azul, como há muito não via. O vento lhe sussurra palavras doces que lhe refrescam a alma. Só mais um passo e já sente o chão começar a ceder sob seus pés descalços.
O vento a abraça e a chama. Ela deseja. Mas quem a segurará no fim do salto? O vento mexe em seus cabelos e a arrepia. Sente seus pés ainda darem um último passo. O vento a envolve. O medo acabou.

domingo, 2 de agosto de 2009

Beijo

Ele se aproxima devagar, não há como ter certeza do que vai acontecer agora. O curto espaço que os separa será vencido rapidamente. Suas mãos suam gelado. Traz a bolsa segura pela alça. Precisava ter alguma coisa na mão para disfarçar o medo. Entretanto a bolsa não parece colaborar. Ela está com medo. O sentimento visivelmente está no modo como ela mexe os pés, movimenta o cabelo, arruma a blusa e tenta parecer descontraída. Sem sucesso. Olha para trás. Procura o portão por onde entrou. Ele continua lá com suas duas folhas de ferro enormes escancaradas. Pelo vão, pode-se ver o céu anil com algumas nuvens de algodão. Ela respira aliviada. Firma seus pés no chão. Olha para ele.
Já pode ser visto sem esforço, ele está muito mais perto agora. Pode reparar em seu rosto. Vem sorrindo. Sorriso doce, tímido, de canto de boca.Realmente é um homem lindo. Traz a mochila nas costas. Parece que fugiu de casa. Seus olhos doces encontram os olhos assustados dela. O sorriso ilumina seu rosto. Segura firme a alça da mochila. Caminha decidido em direção a ela. Olhar fixo e doce. Pensamentos vagando nos sonhos que teve durante a viagem.
Poucos passos os separam agora, depois de tanto tempo de espera.
Ela segura sua bolsa com força. Olha uma última vez para a porta. O céu está cor de baunilha. Chovem folhas na rua. O vento faz todo mundo procurar abrigo. Ela volta-se para ele. Ele está lá. O sorriso. Os olhos. Não há mais como fugir. Ela não consegue se mexer. Com esforço estende a mão e lhe toca o rosto. Precisava saber se era verdade.
Sente sua respiração. Seu coração. Perde-se nos olhos dele. O mundo para naquele instante, afogado naqueles olhos.
Ele a abraça pela cintura. As mãos dele procuram os cabelos dela. Sonhava com esse cheiro. Não havia palavras a serem ditas. Chove. As pessoas correm. Para aqueles dois nada disso importa. Os olhos agora procuram as bocas. Não há mais ninguém aqui.

domingo, 12 de julho de 2009

acaso

O coração palpita. As mãos suam, geladas. A cabeça tornou-se uma tempestade de pensamentos. Não perdia o controle da situação desde a adolescência. E agora estava ali, bancando a adolescente, se sentindo a adolescente. O que aconteceria? Qual seria o próximo passo? Questões sempre debatidas e solucionadas antes de andar para qualquer lado. Antes de decidir o rumo que daria a sua vida.
Agora está nas mãos do acaso. A falta de controle a angustia. De repente tem uma vontade de sair correndo, seus pés procuram o caminho. A hesitação entre o racional e o emocional lhe gelam a alma. Sabe que deve fugir, mas só consegue andar uns passos em direção a saída, o resto do corpo não obedece. Não há saída. Não há como fugir.
A porta está ali, não pode parar de olhar para ela, a saída está aberta. Mas seus pés não se movimentam. Seu corpo não aceita ordens. Sua cabeça vai explodir.
O tempo passa sem parar, o relógio da torre bate. Que horas são? Não consegue descobrir. Seus olhos veem mas não enxergam.
Seu coração bate no pescoço. Ânsia. O mundo infla, as coisas tomam proporções absurdas. Onde estaria o seu juízo?
Os acontecimentos imediatos montam-se e desmontam-se na sua mente, tal como um jogo de Lego. Quantas são as possibilidades? Não há como contar. Não há como saber.
Olha mais uma vez a saída, está mais perto, é quase palpável. Não há como saber. O mundo desajustado. Os relâmpagos em sua mente. O coração lhe toma o corpo todo. Não há como saber.
A vida toda na agenda passa por sua cabeça em tempestade.
O gelo na alma. A saída. O coração. Que horas são? Será que ainda há tempo para alcançar a saída? O relógio se nega a lhe informar o tempo.
O sino novamente. O tempo de fugir acabou. A saída se afasta lentamente. O mundo desconhecido se abre colorido para ela.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

devagar

Ela olha para os lados, o que houve? Todos andam em câmera lenta, a vida está funcionando devagar.
De repente todos os seus pensamentos tem um só foco. A luta para se livrar dessa situação é consentante e nula. Sua imaginação assume vida própria, paralisando o seu corpo e a sua percepção.
A luz caminha sorrateiramente pela sala denunciando que o tempo passa sem parar. Mas, em sua volta, tudo é incensivél a isso e continua a sua trajetória no ritmo que ela impôs, devagar.
Quem mexeu em seu mundo? Em uns breves momentos, sente saudades do turbilhão de pensamentos que sempre lhe povoavam a alma. Não havia processamento, os movimentos sempre mecânicos e iguais, mas a estabilidade era confortável.
Agora essa angústia, o medo do novo e do desconhecido lhe gelam por dentro. O inesperado lhe tira o chão e em um momento não ha mais onde se agarrar. Ela perdeu o controle.
Solta, sem a confortável rotina, segue vendo o mundo passar colorido e devagar por ela

sexta-feira, 26 de junho de 2009